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terça-feira, 8 de janeiro de 2013



A opção pela criação legal de animais silvestres em ambiente doméstico


2010-07-27 00:00



Criar animais da fauna nacional em ambiente doméstico não foi uma invenção de alguns "algozes da natureza" que a partir do ano 2000 montaram um complô para tornar um mundo um lugar inabitável. Criar animais em domesticidade na verdade faz parte da cultura milenar de todos os povos de todos os países do mundo. Desde os seus primórdios os homens e mulheres domesticaram animais, e foi isso que permitiu que alguns deles assumissem funções importantes em nossos dias, seja na composição de nossa alimentação, seja na função de companhia ou estimação.
" Sabemos que em outros países a criação da nossa fauna é legal, o que gera a incongruência de sermos forçados a criar o Periquito Australiano enquanto felizardos estrangeiros criam nossas Iguanas, Canários-da-Terra, Azulões, Abelhas Nativas, etc "

Alguns argumentam que existem animais que não compõem a fauna silvestre e podem ser utilizados como "pets", deixando nossos exemplares em ambiente natural. A aceitação desta hipótese é tão descabida como querer que deixemos de falar nossa língua para falarmos o inglês, ou deixar de ouvir nossa música e ler nossa literatura porque já existem música e literatura de qualidade no exterior, ou ainda relegar nosso folclore porque existem outros à disposição. É a verdadeira negação da nossa cultura e raízes.
Por outro lado, todos sabemos que nos outros países, notadamente da Europa e América do Norte, a criação da nossa fauna é legal, o que gera a incongruência de sermos forçados a criar o Periquito Australiano, o Canário Belga e o Ferret deles, enquanto felizardos estrangeiros criam nossas Iguanas, Canários-da-Terra, Azulões, Abelhas Nativas, etc.
Os incautos ainda dirão que não existe motivação plausível por parte dos criadores. Cheguei a ler a barbaridade de que somente se cria por caridade, vaidade ou lucro. Reduz-se a nossa cultura e paixão a tão baixo nível! Todos nós certamente conhecemos pessoas que se dedicam à criação de animais por puro altruísmo, embora esta não precise ser necessariamente sua única motivação. A felicidade de conviver com um animal estimado se compara, muitas vezes, à felicidade do convívio com um ente querido. Se está havendo exageros de vaidade ou de lucro, que se estudem mecanismos que coíbam estas práticas.
Outros ainda baseiam seus argumentos nas dificuldades de fiscalização, normalmente os responsáveis por esta. A estes eu proponho que parem de se comportar como organizações não-governamentais e tratem de cumprir com suas atribuições que certamente haverá tempo de sobra para tal mister.
Todos nós sabemos que os motivos da diminuição de nossa fauna assumem várias vertentes, inclusive algumas que, apesar não menos graves que o tráfico de animais, são mais significativas do ponto de vista destrutivo como, por exemplo, a destruição do habitat e da alimentação natural, a poluição e a corrupção. Todos nós sabemos também que tudo isso pode ser controlado, bastando haver mais trabalho e menos discurso e desídia por parte de nossas autoridades.
" Defender a simples proibição da criação de nossa fauna em domesticidade é tão insano quanto defender que ninguém mais se alimente de animais abatidos "

A falta de tato, o preconceito e o ranço dos que se revestem de "ongueiros" fajutos (que nada têm a ver com o trabalho sério desenvolvido por muitas ONGs), inclusive aqueles que deveriam se revestir do princípio administrativo constitucional da impessoalidade, não fazendo a defesa de opiniões pessoais, mas observando a questão de cima e de uma forma holística, certamente se dá ou pela desinformação e falta de formação ou mesmo pela desocupação. E há de se enfatizar que o preconceito com aqueles que criam e amam seus animais de estimação pode ser comparado a qualquer outro preconceito, dada a agressividade de seus arquitetos.
Aqueles que fazem a defesa cega da impossibilidade da criação doméstica, além de terem argumentos frágeis, estão desrespeitando os direitos individuais e coletivos de outras pessoas e em nada estão contribuindo para a preservação da natureza. Muito pelo contrário, estariam condenando para sempre à ilegalidade uma parcela muito significativa da população que certamente não deixará sua cultura e paixão de lado.
Hoje, pode-se dizer que ainda estamos engatinhando no sentido de se obter uma situação favorável no que tange ao quantitativo de animais em regime de domesticidade que atendem aos requisitos legais e aqueles que são retirados arbitrariamente da natureza, porém a negação dos avanços que se tem conseguido é um retrocesso e só contribui para que a ilegalidade prevaleça. Temos sim que educar nossa população a adquirir animais legalizados e estimular a reprodução destes.
Defender a simples proibição da criação de nossa fauna em domesticidade é tão insano quanto defender que ninguém mais se alimente de animais abatidos. Por mais que alguns se sintam afetados com esta condição, o respeito aos direitos de uma parcela muito mais significativa da população e à sua cultura milenar deveria fazer com que estas pessoas, com um mínimo de reflexão, submetessem seus caprichos à razão e procurassem alternativas de realmente se fazer um trabalho adequado de manejo de nossa fauna silvestre. Somente isso poderá salvá-la!

Por Hudson Pinto Sampaio Santos
Globo Online 19/03/2008

PROJETOS MELIPÔNICOS



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PROJETOS EM ANDAMENTO


Manejo racional de abelhas indígenas sem ferrão entre agricultores familiares do nordeste do Estado do Pará 

Patrocínio: Edital CT-Agro/MDA/MCT/CNPq   Nº 020/2005 - Apoio a Projetos de Geração e Disponibilizaçãode Tecnologias de Base Ecológica Apropriadas à Agricultura Familiar
Código Embrapa: (não definido)
Processo: 553729/2005-5
Coordenador: Dr. Giorgio Cristino Venturieri
Colaboradores: Dr. Álvaro Alberto de Araújo (UFPA), MSc. Marco António Nobre Pontes (UFPA), Dra. Márcia Correa Rego (UFMA), Sandra Maria Silva (CAOEPA)
RESUMO: A região do Nordeste Paraense é constituída principalmente de vegetação secundária debaixo porte e diferentes cultivos de culturas alimentares, destacando-se mandioca, milho, feijão. A vegetação natural está limitada a florestas de mangue, de várzea, de igapós e de matas ciliaresde igarapés, inapropriadas a agricultura tradicional. A intensa utilização da terra, decorrente do aumento populacional, provocou a divisão dos lotes e a diminuição do período de plantio da agricultura itinerante. Esta prática induziu o declínio da produtividade agrícola, expressa pela diminuição da fertilidade do solo e perda de nutrientes, inviabilizando a economia agrícola tradicional. As populações do interior da Amazônia costumam derrubar árvores para a extração demel, provocando a morte da abelhas e a derrubada das árvores que elas habitavam. Agindo desta maneira produzem mel de baixa qualidade, com impurezas e contaminado por organismos patogênicos, inviabilizando a sua comercialização formal e provocando danos ambientais. Tanto a vegetação secundária como as de matas inundáveis, possuem qualidades que favorecem a criação das abelhas, contendo uma flora diversificada e rica em recursos para as abelhas. A região também apresenta uma grande diversidade de abelhas nativas, boas produtoras de mel. O objetivo da proposta é estimular os produtores locais a utilizar recursos naturais através do manejo sustentável e racional das abelhas indígenas sem ferrão, fornecendo um mel de melhor qualidadehigiênica, orgânico, ecologicamente correto, de alto valor nutricional e econômico. As metas da proposta são: Estudar a biologia de três espécies de abelhas sem ferrão; Confecção de 400 caixas; Impressão de 1000 livros; Capacitação de 40 famílias (através de cursos e assistência técnica); Enriquecimento do pasto apícola através da produção de mudas para distribuição; Construção de um meliponário modelo e de produção de matrizes na Embrapa Amazônia Oriental e Repasse de tecnologia de colheita, embalagem e comercialização de mel e pólen.

PROJETOS CONCLUÍDOS


Alternativas de sustentabilidade à comunidade na Unidade de Conservação em estabelecimento, Balsas-Maranhão.

Patrocínio: CNPq
Código Embrapa: (não definido)
Processo: 505503/04 - 2
Coordenador: Dra. Márcia Maria Corrêa Rêgo.
Colaboradores: Dra. Patrícia Albuquerque (UFMA), Dr. Nivaldo Figueredo (UFMA), Dra. Larisa Barreto (UFMA), Dr. Giorgio Venturieri (Embrapa Amazônia Oriental).

Objetivos:Criar alternativas de sustentabilidade para a comunidade, no entorno da unidade em estabelecimento e complementar os estudos técnicos necessários para a criação desta unidade de proteção integral na Serra do Gado Bravo, Balsas, Maranhão. Objetivos específicos: 1- Inventariar, diagnosticar e selecionar espécies deabelhas sem ferrão para a criação; 2- Avaliara técnicas de manutenção e implantação de meliponários; 3- Estudar a produção do mel e pólen e métodos de armazenamento destes produtos; 4- Capacitar e treinar os produtores nas atividadede meliponicultura regional; 5- Relatar sobre os substratos de nidificação; 6- Fazer análise polínica dos potes das colméias inventariadas e/ou a serem selecionadas.

Produção, caracterização e tecnologia aplicada a méis de abelhas indígenas semferrão produzidos por pequenos agricultores na Amazônia

Patrocínio: MCT/MDA/SECIS/SAF/EMBRAPA - Seleção de Projetos para Disponibilização e Apropriação deTecnologias para Agricultores Familiares Brasileiros
Código Embrapa: 04.05.0.81.00
Coordenador: Dr. Giorgio Cristino Venturieri
Colaboradores: Instituto Agroecologico da Amazônia - IAAM

Manejo de polinizadores autóctones de açaízeiro (Euterpe oleracea Mart.) na Amazônia Oriental

Patrocínio: PROBIO/MMA - FUNAGRI (Valor financiado: R$ 125.666,70)
Código Embrapa:03.0203.900.00
Período: Set/2004 - Agos/2005
Coordenador: Dr. Giorgio Cristino Venturieri
Colaboradores: Dr. Oscar Lameira Nogueira, MSc. José Edmar Urano de Carvalho, MSc. Silvane Tavares Rodrigues
RESUMO: O açaizeiro é uma palmeira nativa da Amazônia, largamente utilizada pela população debaixa renda, que o comercializa, em sua maioria, informalmente. Segundo IBGE (2002) o açaí é o produto florestal não madeireiro mais importante da região amazônica e terceiro maior do Brasil.Devido ao aumento do consumo local e a exportação para outros estados brasileiros, foi grande o aumento das áreas plantadas, em sua maioria, no nordeste paraense. O nordeste paraense, pela sua antiga ocupação, é detentor das áreas mais alteradas de toda a região amazônica. Nestas áreas, as populações de abelhas do gênero Melipona, polinizadores naturais do açaizeiro, estão ameaçadas, principalmente, pela falta de árvores com ocos, necessárias a sua nidificação. Apesar da existência de vasta literatura sobre diversos aspectos da biologia das abelhas sem ferrão brasileiras (Soares & De Jong 1992), poucas são as iniciativas que tiveram por objetivo investigar o potencial econômico destas abelhas, seja para produção de mel ou seu emprego na polinização deculturas agrícolas. Os meliponíneos constituem grupo muito diversificado de abelhas, ocorrendo em toda a região tropical do globo, mas é na região amazônica que é encontrada a maior diversidadede espécies. Conseqüentemente, este grupo é responsável pela polinização de um grande númerode plantas nativas. Os meliponíneos são insetos sociais que vivem em colônias perenes, adaptando-se muito bem em ninhos artificiais, o que facilita o seu manejo na polinização dirigida. São adaptadas a visitar um grande número de plantas, não possuem ferrão, podem ser facilmente transportadas. O objetivo geral da proposta é revisar a biologia reprodutiva do açaizeiro, consolidar e divulgar um método de criação e multiplicação de ninhos de duas espécies (Melipona fasciculata eM. flavolineata) e avaliar a influência de sua introdução no aumento da produção de frutos.

Meliponicultura na Floresta Nacional do Tapajós: Uma Doce Alternativa.

Patrocínio: ProManejo/FLONA-Tapajós/MMA - ASMIPRUT (Valor financiado:R$ 200.429,00)
Código Embrapa: 03.04.0.01.41-00
Período: Out/2004 - Mar/2006
Coordenador: Zedequias Pedroso da Silva (ASMIPRUT)
Colaboradores: Dr. Giorgio Venturieri (Embrapa Amazônia Oriental, Belém, PA), José Fernando Santos Rebello (IBAMA-Floresta Nacional do Tapajós, Santarém, PA).

WebBee: Uma rede de informações sobre biodiversidade brasileira

 


Patrocínio: CNPq/SocInfo
Período: Dez/2001 a Nov/2003
Coordenadores: Dr. Antônio Mauro Saraiva (EP/USP); Dra. Vera Lúcia Imperatriz Fonseca (IB/USP)

Manejo de Florestas Secundárias para Agricultores Familiares do Nordeste Paraense
Valor Financiado: US$ 275.000,00. Patrocínio: PROMANEJO/PPG7
Código na Embrapa: 08.2002.041
Período: Jun/2001 - Jun/2003
Coordenadora: MSc. Marli Mattos e MSc. Maria do Socorro Gonsalves Ferreira (CPATU)

Caracterização e avaliação de abelhas indígenas e de plantas melíferas utilizadaspara a produção de mel entre os pequenos agricultores da Amazônia Oriental

Valor financiado: R$ 39.969,10. Processo Nº 52.0794/01-0 CNPq/COAGR (Agricultura Familiar).
Código na Embrapa: 030203900
Período: Jan/2002 - Dez/2002
Coordenador: Dr. Giorgio Cristino Venturieri
Colaboradores: Dra. Patrícia Maria Drumond, MSc. Silvane Tavares Rodrigues, Dr. Mário Augusto Gonçalves Jardim e Dra. Raimunda Conceição de Vilhena Potiguara.

PROJETOS APROVADOS AGUARDANDO DESEMBOLSO


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PORQUE AS ABELHAS SUMINDO ?

As abelhas estão desaparecendo da Terra
Ter, 16 de Outubro de 2012 02:21


As abelhas estão sumindo, e sua extinção é real.  O fenômeno é global. Nos últimos anos houve um declínio acentuado e preocupante das populações de abelhas no planeta – algumas espécies já estão extintas e outras chegam a apenas 4% da população original. O desaparecimento começou na Europa, mas hoje afeta profundamente a segunda potencia da apicultura depois da China, os Estados Unidos, que já perderam entre 50% e 90% das abelhas de um total de 2,4 milhões de colônias comerciais, cada uma com cerca de 30 mil abelhas, ou seja, 25% do que existia em 1980.
O desaparecimento das abelhas também foi constatado na Alemanha, Suíça, Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Na região da Áttica, Grécia, no ano passado morreram 6.000 colônias por neonicotinóides, com os quais foram pulverizados tamareiras em floração, para combater o Rynchophorus ferrugineus. Manfred Hederer, presidente da Associação Alemã de Apicultores, relatou uma queda de 25% nas populações de abelhas pelo país.
O desaparecimento das abelhas está intrigando cientistas do mundo todo, e a “Desordem do Colapso das Colônias”, faz parte do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Até agora, ninguém conseguiu explicar por que os insetos têm perdido a orientação e deixando de voltar para suas colmeias.
Cientistas vêm lutando para encontrar as respostas. Estudos apontam que as causas podem estar num conjunto de fatores como a radiação de telefones celulares e linhas de transmissão de alta-voltagem, aquecimento global, o uso de transgênicos e modificações genéticas, monoculturas, vírus, fungos e pesticidas.
De acordo com o jornal inglês The Independent, a radiação dos celulares poderia estar interferindo no sistema de navegação das abelhas, e desorientadas, não conseguiriam mais voltar para suas colmeias. Além disso, citou pesquisas alemãs que apontaram mudanças de comportamento das abelhas nas proximidades de linhas de transmissão de alta tensão.
Como o sistema de orientação das abelhas funciona por meio dos olhos, elas dependem da luz solar para encontrar o caminho de volta para as colmeias, assim, o aumento na incidência de raios ultravioletas poderia ser uma das causas da desorientação.
O uso de transgênicos e modificações genéticas como uma das causas. Há uma intensa utilização das variedades transgênicas do tipo Bt (gene resistente a insetos que contém partes do DNA da bactéria Bacillus thuringiensis), colocando-o no segundo lugar dos transgênicos mais cultivados do mundo, perdendo somente para a soja. Vários países já proibiram o uso do transgênico Bt.  O Peru proibiu a variedade da batata transgênica Bt, em razão do país ser o centro de origem e biodiversidade desta cultura. O México vetou totalmente o plantio e consumo do milho Bt pelas mesmas razões. O governo grego tomou a mesma decisão, estendendo a proibição a 20 variedades do milho Bt, alegando risco de ameaça à espécie humana, à vida silvestre e à indústria de criação de abelhas, pois as abelhas coletam o pólen da flor masculina do milho, o pendão. O Brasil, por sua vez, vem aprovando sistematicamente a liberação dos transgênicos Bt.
Culturas de vegetais geneticamente modificados (GM, em inglês) contem um poderoso micróbio que é ingerido pelas abelhas, podendo agravar a saúde dessas polinizadoras.
Cada vez mais as abelhas apresentam deficiências nutricionais devido à falta de uma dieta diversificada causada pelas dezenas de milhões de hectares de monocultura, notável também na qualidade do mel produzido.
Diana Cox-Foster, especialista em abelhas da Pennsylvania State University dirige suas pesquisas nas hipóteses mais prováveis: vírus, fungo e pesticidas.
De acordo com a revista científica americana Science, o desaparecimento das abelhas pode estar relacionado com o vírus IAPV (sigla em inglês) de origem israelense, que causa uma paralisia profunda nas polinizadoras.
Pesquisas realizadas na Universidade de Columbia mostraram que o mesmo fungo que aparece nos humanos portadores de HIV-positivo ou câncer, foi encontrado em abelhas que tiveram o sistema imunológico afetado.
Atualmente comprova-se que os agrotóxicos mais contribuem para a dizimação dos polinizadores do que proteger as plantações das pragas. Um estudo independente produziu evidências fortes apontando os agrotóxicos neonicotinóides como um dos grandes responsáveis pela extinção das abelhas. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, baniram alguns destes produtos que matam abelhas.
Num último esforço para salvar seu habitat, algumas abelhas selam as células da colmeia que contêm quantidades excessivas de pesticidas, mesmo assim, essas colônias acabam morrendo.
A solução não será fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o agrotóxico é “altamente tóxico” e representa um “grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)”.
Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência das multinacionais fabricantes de agrotóxicos químicos sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais protagonistas dessa causa – apicultores e agricultores – querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos ou pelo menos que os laboratórios apresentem evidências sólidas comprovando que eles são totalmente seguros.
Quando a vida de abelhas operárias de uma colônia é afetada, há muitas abelhas mortas dentro  e/ou em torno da colmeia. Na questão atual, simplesmente elas estão desaparecendo. Ainda não foi encontrada uma causa específica sobre a real causa do problema. Alguns cientistas, por outro lado, minimizam o problema. O professor emérito de entomologia da Oregon State University, Michael Burgett, diz que as grandes baixas em abelhas poderiam simplesmente ser um reflexo de picos populacionais, como houve no final dos anos 70 num fenômeno similar a este.
Mas não se trata de uma simples repetição. A novidade é que, desta vez, o problema está aparecendo ao mesmo tempo em várias regiões do planeta, inclusive no Brasil.
O colapso de reação em cadeia pode facilmente levar ao fim da Era dos Mamíferos, semelhante ao final da era dos dinossauros há 65 milhões de anos atrás.
Esse artigo se refere às abelhas do gênero Apis mellifera (abelhas do Reino, abelhas europeias, abelhas africanas, abelhas africanizadas, nomes que dá a esse gênero de abelhas no Brasil).
Colaboração: Nikolaos A. Mitsiotis- apicultor e pesquisador -  nikeeper@terra.com.br
(BOX)
BRASIL
As primeiras notícias sobre o fenômeno do desaparecimento das abelhas foram recebidas como uma espécie de enredo de um novo filme de ficção científica. Mas o problema tornou-se muito real. Nos Estados Unidos recebeu o nome de Colony Collapse Disorder (Desordem e Colapso da Colônia). Agora, o problema também está no Brasil, particularmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde os apicultores registraram perdas de 25% na produção de mel.
Matéria publicada no jornal Diário Catarinense, de Florianópolis, afirma que o desaparecimento das abelhas já é motivo de grande preocupação entre apicultores dos dois Estados. E o desaparecimento vem acompanhado de outro problema: as abelhas que permanecem nas colmeias estão morrendo infectadas por diversas doenças. Em depoimento ao jornal, o apicultor e pesquisador Leandro Simões, de Campo Alegre, diz que nunca viu algo parecido em 35 anos de profissão.
Mas essas informações se referem às colônias de abelhas africanizadas que vivem em colmeias nos apiários, porém não sabemos se foi constatado nas colônias que vivem fora do controle do homem, em refúgios naturais, e são em número dezenas de vezes superior ao das que vivem em apiários.